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Caderno de Sexualidade Humana

 

O R.G. dos Transgêneros
Maitê Schneider*

Explicar o que somos é tão complicado quanto dizer o que precisamos para sermos felizes. Somos tanto e queremos ainda mais. Sem dúvida nós, seres humanos, somos complicados em essência, por mais simples que sejamos.

Em contrapartida, não se pode fugir dos rótulos e de certas determinações que são impostas na busca de uma identidade dentro de um grupo ou até mesmo em termos de sociedade. Temos que nos enquadrar em algum "padrão", nos tipificar em algum conjunto. E tudo isto para compreendermos um pouco mais sobre quem realmente somos e a partir daí expandirmos nossos horizontes e metas de vida.

Tentarei neste texto explicar as variantes e variáveis de um mundo amplo e cheio de enigmas para todos os que de certa forma se encantam pela sexualidade, ou seja, todos nós , independentemente do grau de seu interesse. Tentarei aqui, explicar as muitas facetas dos Transgêneros.

Tarefa difícil e que levou muitos anos de minha vida em conversas, bate papos e muita observação dos mais heterogêneos modos de vida, e principalmente, dos mais diversos tipos de seres humanos.

Trangêneros são as pessoas que ultrapassam o gênero. Isto mesmo, as pessoas que estão "além"-gênero. São indivíduos, homens ou mulheres, que invertem a sua trajetória biologicamente "natural" , em busca de alguma(s) característica(s) secundárias do sexo oposto , que estão contidas em seu eu interior.

A linha desta busca pode ou não passar pela exteriorização física; trata-se mais de uma característica da alma, de um sentir indo ao encontro de um pedaço importante que se encontra perdido em algum lugar.

Ao analisarmos esta busca (sofrida, muitas vezes) , distinguimos alguns tipos de trangêneros, os quais não são mais, nem menos: são simplesmente diferentes. Assim, introduzo aqui algumas questões:

Transexuais (TS):
Indivíduos que possuem o sexo biológico em não-conformidade com seu sexo psicológico. Temos aqui, homens que nasceram homens, biologicamente falando, com genitália e gônodas do sexo masculino, mas possuem "psique" e alma totalmente femininas. Corpo de homem, numa mulher. Podemos também ter uma mulher biologicamente "perfeita", quanto à sua constituição biológica, mas que encontra dentro de si e na sua essência,um homem.

Sabe-se que não se pode mudar a cabeça das pessoas, no sentido do que elas são o que está dentro de seu "eu interior". Hoje em dia, entretanto, podemos adequar um pouco o físico ao modo de pensar destoante da realidade psíquica. E é isto o que é feito, na maioria das transexuais, que muitas das vezes chegam até à cirurgia de readequação genital.

Travestis (TV):
São indivíduos que se travestem com vestimentas do sexo oposto e que além disso exteriorizam os caracteres secundários, tais como voz, corpo, etc, deste sexo antagônico.

Os travestis mantém o chamado “vínculo” com o sexo de origem. Ou seja, tem algo que os prende ao seu sexo biológico de nascimento.

Crossdresser (CD):
Trata-se dos mesmos casos dos indivíduos que sendo de um sexo, se vestem como o do outro. A diferença é que o CD, não assume publicamente uma identidade social feminina. Portanto não fará uso de hormônios e e nem de cirurgias corretivas em seu corpo, pois em sua rotina diária, tem uma vida condizente com seu sexo biológico. Os hormônios até poderão fazer parte de sua vida, mas até o limite em que sua identidade social não seja afetada. Os crossdressers podem ter tendência hetero, homo ou bissexual.

Drags:
Podem ser homens (que se vestem de mulher), como é o caso das "drag queens", ou mulheres (que se vestem de homem), como é o caso das "drag kings". O que realça esta particularidade na sua maioria é o exagero pela figura que busca. A drag queen realça de maneira exacerbada a forma e o fenótipo feminino. A drag king, o masculino. Na maioria dos casos, as drags não buscam parecer-se com o sexo de "montaria" durante o seu cotidiano.

De uma forma geral, o que quero colocar e acho importante salientar é que todos somos seres humanos, e na vida real devemos usar esta diversidade que nos faz tão ricos e produtivos, em prol de coisas boas; como o reconhecimento de todos os direitos que nos são garantidos no nascimento, bem como de um mundo melhor, onde a oportunidade de emprego, igualdade de justiça e principalmente direito à vida sejam sempre respeitados e colocados em primeiro lugar.

© Maite Schneider é Vice-Presidente do Instituto Paranaense 28 de junho de Direitos humanos


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